CEO da Franklin Templeton: Blockchains Ameaçam Taxas de Wall Street, Não Tecnologia
CEO da Franklin Templeton explica resistência de Wall Street a blockchains.

Jenny Johnson, CEO da gigante de gestão de ativos Franklin Templeton, revelou uma perspectiva clara sobre a relutância de grandes instituições financeiras em adotar blockchains públicas. Segundo ela, o principal obstáculo não é a desconfiança na tecnologia em si, mas sim a ameaça que ela representa aos lucrativos fluxos de receita baseados em taxas que sustentam o modelo de negócios tradicional de Wall Street. Em sua participação no evento Proof of Talk, em Paris, Johnson, que supervisiona um patrimônio de aproximadamente US$ 1,74 trilhão, explicou que bancos e intermediários financeiros lucram significativamente a cada etapa do processo de liquidação de transações.
A introdução de contratos inteligentes capazes de executar as mesmas funções por uma fração do custo potencializa a perda dessa receita para as instituições tradicionais. Como exemplo prático dessa redução de custos, Johnson citou o fundo tokenizado de mercado monetário da Franklin Templeton, conhecido como Benji. O processamento de 50.000 transações através do sistema legado da empresa custou US$ 1,30 por transação, enquanto o mesmo volume executado na blockchain Stellar teve um custo de apenas US$ 1,13 por transação, uma economia notável em escala institucional.
O anúncio ocorreu em paralelo à divulgação de uma nova parceria estratégica entre a Franklin Templeton e a MoonPay. O objetivo desta colaboração é facilitar a movimentação de investidores institucionais entre stablecoins e o fundo tokenizado da empresa, integrando um fluxo de trabalho totalmente on-chain. Essa iniciativa reforça o compromisso da Franklin Templeton em explorar e implementar soluções baseadas em tecnologia de registro distribuído para otimizar operações e oferecer novos produtos.
A incursão da Franklin Templeton no universo dos ativos digitais se destaca como uma das mais ambiciosas por parte de um gestor de ativos tradicional na história recente do setor. Com sede na Califórnia e administrando cerca de US$ 1,74 trilhão, a empresa iniciou a formação de sua equipe dedicada a ativos digitais em 2018, anos antes da tokenização se tornar um foco mainstream para players institucionais.
O fundo Benji, lançado em 2021, foi pioneiro ao se tornar o primeiro fundo mútuo registrado nos EUA a utilizar uma blockchain pública como seu sistema oficial de registro para processamento de transações e registro de propriedade de cotas. O fundo investe predominantemente em títulos do Tesouro dos EUA, empregando a tecnologia blockchain estritamente para ganhos de eficiência operacional, sem qualquer exposição direta a criptomoedas.
No âmbito do Bitcoin, a Franklin Templeton lançou o Franklin Bitcoin ETF (ticker: EZBC), um produto passivo que detém exclusivamente Bitcoin e caixa, voltado para investidores que buscam exposição direta ao preço sem a necessidade de gerenciar a custódia. Adicionalmente, a empresa oferece um produto de conta gerenciada separadamente, que opera dinamicamente entre Bitcoin e Ethereum, para investidores que desejam alocação ativa entre os dois maiores ativos digitais.
Em abril de 2026, a Franklin Templeton anunciou planos para adquirir a 250 Digital, uma dissidência da empresa de venture capital de criptomoedas CoinFund. Essa aquisição visa formar uma nova divisão, denominada Franklin Crypto, com o propósito de perseguir estratégias de investimento em criptomoedas em escala institucional. A transação em si representou um marco, pois os tokens BENJI foram utilizados como parte do pagamento da aquisição, configurando uma das primeiras transações de fusões e aquisições estruturadas on-chain. Atualmente, a divisão de ativos digitais da empresa gerencia aproximadamente US$ 1,8 bilhão em ativos.
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