Economia

Bitcoin Cai para US$ 62.000 com Fed Agressivo; Mercado em Alerta

Fed adota postura mais agressiva, impactando Bitcoin.

Jornal Cripto4 min de leitura
Bitcoin Cai para US$ 62.000 com Fed Agressivo; Mercado em Alerta
Foto: reprodução

O preço do Bitcoin (BTC) sofreu uma queda significativa, rompendo o suporte crucial de US$ 64.000. Essa desvalorização ocorreu após uma mudança na postura do Federal Reserve (Fed), a autoridade monetária dos Estados Unidos, que sinalizou uma política monetária mais restritiva. A notícia de um Fed mais "hawkish" (agressivo) apagou os ganhos recentes impulsionados pela diminuição das tensões geopolíticas, colocando o mercado em risco de uma correção mais acentuada em direção à faixa de US$ 60.000.

Durante as negociações da manhã de 18 de junho, o valor do Bitcoin despencou de uma máxima de US$ 66.315 registrada em 17 de junho para uma mínima intradiária próxima a US$ 62.000. Essa queda representa uma desvalorização de 4% em um curto período. Embora o preço tenha se estabilizado por volta de US$ 62.500, o momentum do mercado permanece frágil, com crescentes pressões macroeconômicas.

O Fed, em sua última reunião, decidiu manter a taxa básica de juros inalterada, entre 3,50% e 3,75%. No entanto, as projeções atualizadas sinalizaram um caminho de política monetária mais apertada. Os formuladores de política reduziram as expectativas de cortes futuros nas taxas de juros e deixaram em aberto a possibilidade de novas elevações. Adicionalmente, o presidente Kevin Warsh indicou um afastamento das orientações futuras ("forward guidance"), aumentando a incerteza em todos os mercados financeiros globais.

A reação a essas notícias provocou um movimento generalizado de aversão ao risco ("risk-off"). Os mercados de criptomoedas acompanharam a queda das ações de empresas ligadas ao crescimento e liquidez, enquanto o índice do dólar americano (DXY) atingiu seu nível mais alto em mais de um ano. Taxas de juros crescentes e um dólar mais forte historicamente exercem pressão negativa sobre ativos como o Bitcoin, que dependem de liquidez abundante para sua valorização.

Essa correção ocorreu mesmo diante de um desenvolvimento geopolítico favorável. Um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã reabriu o Estreito de Ormuz e permitiu a retomada das exportações de petróleo iraniano, levando os preços do barril a cair para perto de US$ 75. Normalmente, essa queda no preço do petróleo seria um fator positivo para ativos de risco, mas o Bitcoin falhou em responder, evidenciando a predominância da política monetária na definição do sentimento de curto prazo.

Dados do Bitcoin Magazine Pro apontam que a atenção do mercado também se volta para o vencimento de opções de Bitcoin em 26 de junho, que detém um interesse aberto de aproximadamente US$ 10,5 bilhões. As opções de compra ("call options") concentram-se em torno do preço de exercício de US$ 80.000, enquanto a demanda por opções de venda ("put options") aumentou perto de US$ 60.000. O atual nível de "max pain" (ponto de maior dor para os investidores) está em torno de US$ 74.000, bem acima dos preços atuais, o que pressiona as posições compradas e aumenta a probabilidade de fluxos de hedge.

Indicadores técnicos como o Índice de Força Relativa (RSI) moveram-se para território neutro, e os indicadores de fluxo monetário mostram uma pressão de compra reduzida. No gráfico diário, o preço do Bitcoin permanece abaixo de níveis de resistência importantes, como o retração de Fibonacci de 61,8% em torno de US$ 65.000 e a resistência de tendência mais ampla em US$ 68.400. Os indicadores de tendência continuam favorecendo os vendedores, refletindo a continuação da tendência de baixa iniciada após as máximas de maio.

Dados de liquidez revelam zonas de batalha importantes. Aglomerações significativas de interesse de liquidação de posições alavancadas se encontram acima do preço atual, entre US$ 65.000 e US$ 67.000. Por outro lado, a liquidez de baixa se concentra nas faixas de US$ 63.500 e US$ 62.000. Essas zonas podem atuar como ímãs para o preço, especialmente com o aumento da alavancagem no mercado. Os participantes do mercado observam atentamente se o nível de US$ 62.000 será mantido. Uma movimentação sustentada abaixo dessa faixa pode abrir caminho para US$ 60.000 e a mínima de junho, abaixo desse patamar. Uma correção mais profunda permanece possível caso as condições macroeconômicas se apertarem ainda mais, com cenários extremos apontando para a região de US$ 50.000, com base em comportamentos de ciclos anteriores.

Fluxos institucionais representam outro desafio. Os ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA registraram saídas líquidas nas últimas sessões, sinalizando uma demanda reduzida por parte de grandes investidores. Ao mesmo tempo, o Índice de Prêmio Coinbase permanece negativo, sugerindo uma atividade de compra mais fraca por parte de participantes baseados nos EUA. Contudo, existem sinais mistos sob a superfície. Grandes detentores de Bitcoin aumentaram suas acumulações, com carteiras contendo pelo menos 1.000 BTC atingindo os níveis mais altos desde março. As reservas nas exchanges também diminuíram, indicando um comportamento de retenção a longo prazo.

No momento, o preço do Bitcoin parece estar em um intervalo entre US$ 60.000 e US$ 70.000, enquanto os mercados buscam uma direção clara. Uma recuperação acima de US$ 65.000, seguida por uma movimentação acima de US$ 67.000, poderia restaurar o momentum de alta e direcionar o foco para US$ 70.000. No entanto, a falha em manter o suporte atual reforçaria os riscos de queda, uma vez que os ventos contrários macroeconômicos permanecem no controle.

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