Tesouro dos EUA: País confiscou quase US$ 1 bilhão em criptomoedas do Irã
EUA confiscam quase US$ 1 bilhão em criptomoedas do Irã.

Em um discurso no Fórum Econômico Nacional Reagan, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que o governo americano confiscou aproximadamente US$ 1 bilhão em criptomoedas ligadas ao Irã. Essa ação faz parte de uma campanha mais ampla destinada a interromper as redes financeiras de Teerã. As declarações ocorrem em meio a uma das maiores confrontações militares que o Oriente Médio testemunhou nas últimas décadas, intensificando o foco sobre as implicações econômicas e geopolíticas do uso de criptomoedas.
No dia 27 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel iniciaram a Operação Epic Fury, uma campanha de ataques aéreos coordenados com o objetivo de atingir as instalações nucleares do Irã, sua infraestrutura militar e os centros de comando da Guarda Revolucionária. Em resposta, o Irã lançou ataques com mísseis balísticos em várias regiões, atingindo países como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Iraque. Embora um frágil cessar-fogo tenha sido negociado no início de abril, a guerra econômica entre os dois países permanece inalterada, com a Operação Economic Fury em andamento.
A Operação Economic Fury foi ordenada pelo presidente Trump e é conduzida pelo Departamento do Tesouro dos EUA. O objetivo é desmantelar sistematicamente cada linha de financiamento que sobrou para Teerã. Desde o lançamento dessa operação, a OFAC (Office of Foreign Assets Control) impôs sanções a mais de 1.000 entidades ligadas ao Irã, congelou contas bancárias de empresas associadas à Guarda Revolucionária e, conforme mencionado por Bessent, chegou a atuar diretamente nas carteiras de criptomoedas.
Uma das ações mais significativas ocorreu no final de abril, quando a Tether confirmou o congelamento de US$ 344 milhões em USDT em dois endereços da blockchain Tron associados à Guarda Revolucionária. Essa decisão foi baseada em padrões on-chain identificados pela empresa de análise de blockchain Chainalysis, que correlacionou esses endereços a carteiras militares iranianas conhecidas. Uma das carteiras continha aproximadamente US$ 213 milhões, enquanto a outra tinha cerca de US$ 131 milhões. Desde então, o total das criptomoedas confiscadas ultrapassou os US$ 500 milhões, e os comentários mais recentes de Bessent indicam que esse montante está se aproximando de US$ 1 bilhão.
"Vamos rastrear os fundos que Teerã está tentando transferir para o exterior e atacar todas as vias financeiras ligadas ao regime", declarou Bessent em seu discurso. Ele também enfatizou que, em algumas situações, as carteiras poderiam ainda estar sendo acessadas por seus proprietários sem que eles soubessem que haviam sido confiscadas, o que levanta questões sobre a segurança e a privacidade no uso de criptomoedas em contextos de conflito.
A utilização do Bitcoin como meio de pagamento no Irã também foi um ponto de destaque recentemente. Em abril, foi relatado que o país planejava exigir que os navios que passassem pelo Estreito de Hormuz pagassem taxas de trânsito em Bitcoin durante um cessar-fogo temporário com os EUA. Essa política visava contornar sanções e os sistemas bancários tradicionais, proporcionando ao Irã uma maneira de coletar receita enquanto mantinha controle sobre um ponto crítico do comércio de petróleo global. Essa movimentação colocou o Bitcoin sob os holofotes geopolíticos, aumentando os riscos operacionais e legais para as empresas de transporte, além de destacar como os ativos digitais podem ser utilizados em rotas comerciais controladas por governos.
Esses desenvolvimentos sugerem uma evolução no papel das criptomoedas em cenários de sanções e conflitos internacionais, ressaltando a necessidade de vigilância constante sobre o uso de ativos digitais em contextos de segurança nacional e geopolítica. O impacto dessas ações do Tesouro dos EUA pode reverberar não apenas nas relações entre os EUA e o Irã, mas também nas práticas de adoção de criptomoedas em outras nações afetadas por sanções econômicas.
A primeira menção da apreensão das criptomoedas do Irã pelo Tesouro dos EUA foi publicada pela Bitcoin Magazine, em um artigo escrito por Micah Zimmerman.
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