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Mineradoras de Bitcoin: VanEck aponta déficit de US$ 50 bi em nova era de IA

Mineradoras de Bitcoin enfrentam déficit de US$ 50 bi para transição para IA.

Jornal Cripto3 min de leitura
Mineradoras de Bitcoin: VanEck aponta déficit de US$ 50 bi em nova era de IA
Foto: reprodução

A gestora de ativos VanEck lançou um novo marco analítico que distingue as mineradoras de Bitcoin que estão genuinamente se transformando em provedoras de infraestrutura de inteligência artificial (IA) daquelas que ainda se limitam a apresentar projeções. Este movimento estratégico vem acompanhado de um desafio financeiro considerável: um déficit de financiamento de aproximadamente US$ 50 bilhões no curto prazo, separando as ambições do setor de sua capacidade real de entrega.

Em uma nota de pesquisa divulgada recentemente, Griffin MacMaster, analista de investimentos da VanEck, e Matthew Sigel, Head de Pesquisa de Ativos Digitais, apresentaram o que descrevem como a primeira abordagem estruturada de avaliação para empresas que operam simultaneamente em mineração de Bitcoin e hospedagem de data centers para IA. Diante da disparidade nas divulgações financeiras e da natureza incipiente dos fluxos de caixa, a VanEck sugere que a métrica mais confiável para os investidores no momento é a "energia bruta energizada", ou seja, a quantidade de megawatts que uma empresa efetivamente colocou em operação, e não apenas anunciada.

A diferença entre o planejado e o executado já revela um cenário claro. Empresas com contratos de locação física em mãos, como Cipher Mining (CIFR), Hut 8 (HUT) e TeraWulf (WULF), apresentam valorizações superiores a 10 vezes a energia bruta energizada. Em contraste, companhias como Marathon Digital (MARA) e CleanSpark (CLSK), mais focadas na mineração de Bitcoin e com capacidade de IA contratada limitada, são negociadas a apenas 2 a 6 vezes essa mesma métrica.

Os analistas observam que "por enquanto, o mercado está precificando a capacidade contratada e energizada, enquanto desconta tudo o que ainda está no pipeline". A VanEck alerta que a assinatura de contratos é apenas o primeiro passo. No grupo analisado, as mineradoras entregaram apenas cerca de 25% de sua capacidade locada. A expectativa é que esse número diminua ainda mais antes de apresentar melhora, com o início de grandes projetos de construção entre 2027 e 2028.

A "lacuna de execução" entre o planejado e o realizado tende a se tornar o principal fator de avaliação daqui para frente. Empresas que falharem em cumprir os marcos de construção correm o risco do que a VanEck chama de "reclassificação estrutural negativa". Os analistas também destacam que poucas dessas empresas possuem experiência prévia na construção da infraestrutura exigida pelos clientes de IA, tornando as credenciais de gerenciamento de projetos tão importantes quanto a contagem de megawatts.

O rastreador de negócios da VanEck indica um segundo semestre de 2026 agitado, com diversas empresas, incluindo Bitdeer (BTDR), HIVE Digital (HIVE), Riot Platforms (RIOT) e Core Scientific (CORZ), em diferentes estágios de negociações de locação ativas ou avançadas. A TeraWulf (WULF) estaria em "negociações avançadas" para um site de 480MW no Kentucky, com expectativa de fechar um cliente no segundo trimestre.

As exigências de capital para essa transição são imensas, com a VanEck estimando que as necessidades de gastos de capital a longo prazo do setor se aproximam de US$ 221 bilhões. As necessidades de curto prazo, sozinhas, criam um déficit de financiamento coletivo de aproximadamente US$ 50 bilhões acima das posições de caixa atuais. A HIVE enfrenta a maior pressão em relação à sua capitalização de mercado, impulsionada por suas ambições de "AI Gigafactory", que visam mais de 100.000 GPUs. REN e KEEL possuem as próximas maiores cargas de curto prazo, enquanto WULF e CIFR parecem mais bem posicionadas, tendo já garantido contratos âncora que ajudam a mitigar o risco de suas captações de capital.

As rotas de financiamento variam significativamente. Empresas com tesouraria em Bitcoin, como MARA (35.303 BTC), CLSK (13.561 BTC) e HUT (13.696 BTC), podem recorrer a estratégias de monetização de Bitcoin para cofinanciar a construção. REN, que tem uma grande necessidade de financiamento de curto prazo e nenhuma tesouraria em BTC, enfrenta um leque mais restrito de opções: emissões dilutivas de ações ou dívidas incrementais. O relatório também questiona a forte correlação que o mercado atribui a todo o setor com os preços do Bitcoin, visto que o retorno diário médio do grupo apresenta baixa correlação com a criptomoeda.

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