Bitcoin Estabiliza Perto de US$ 63 Mil; Analistas Reforçam Tese de Reserva de Valor
Bitcoin se estabiliza perto de US$ 63.000 após quedas.

O preço do Bitcoin manteve-se na faixa de US$ 63.000 na segunda-feira, recuperando-se de uma mínima de dois meses registrada em 5 de junho. A criptomoeda mais valiosa do mundo enfrentou uma combinação de fatores adversos, incluindo saídas de ETFs à vista, incertezas macroeconômicas e uma migração de capital para ações de inteligência artificial. Esses elementos levaram o Bitcoin a negociar aproximadamente 50% abaixo de sua máxima histórica de US$ 126.279, alcançada em outubro de 2025.
A recente desvalorização provocou reações de capitulação, com investidores de varejo se afastando do mercado e manchetes da mídia amplificando o sentimento de medo. No entanto, uma quantidade crescente de vozes institucionais tem contestado essa narrativa pessimista. Em um relatório divulgado na segunda-feira, analistas do banco de investimento Wall Street Bernstein reafirmaram que a tese de longo prazo do Bitcoin como "reserva de valor" permanece inalterada.
Bernstein observou que os fluxos líquidos para ETFs de Bitcoin à vista e empresas de tesouraria corporativa diminuíram para US$ 12 bilhões em 2026, um montante significativamente menor em comparação com os US$ 60 bilhões registrados em 2025. A firma atribuiu a maior parte da pressão de venda não aos detentores de ETFs, mas sim à liquidação de posições por empresas de tesouraria corporativa, com os ETFs à vista registrando apenas cerca de US$ 2,6 bilhões em saídas líquidas desde o início do ano.
"O fato de o Bitcoin estar 'chato' neste ciclo não deve ser usado contra ele", escreveram os analistas da Bernstein. Eles acrescentaram que a desaceleração do momentum de varejo não compromete a tese estrutural de posse do Bitcoin. O relatório destacou que 61% da oferta circulante de Bitcoin não foi movida nos últimos doze meses, indicando uma base sólida de detentores relutantes em vender com os preços atuais.
A Bernstein manteve sua meta de preço para o Bitcoin em US$ 150.000 para 2026, citando uma mudança estrutural na base de investidores em direção a instituições como plataformas de gestão de patrimônio, fundos de pensão e fundos soberanos. A firma já havia descrito o início de 2026 como o "cenário de baixa mais fraco" na história do Bitcoin, argumentando que a crescente adoção por bancos e grandes firmas de investimento diferencia a atual desaceleração das "cripto-invernos" anteriores.
A pressão de curto prazo sobre os preços tem diversas origens identificáveis. O capital migrou em ritmo histórico para o setor de inteligência artificial, com centenas de bilhões fluindo para grandes empresas de tecnologia nos últimos meses. O IPO da SpaceX, agendado para 12 de junho na Nasdaq com uma avaliação alvo entre US$ 1,75 trilhão e US$ 2 trilhões, atraiu atenção significativa do varejo, desviando o foco dos ativos digitais, segundo analistas.
As vendas de Bitcoin da Strategy também adicionaram pressão vendedora ao mercado. No âmbito legislativo, o CLARITY Act, um projeto abrangente de estrutura de mercado de ativos digitais que dividiria a autoridade regulatória entre a SEC e a CFTC, foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado em maio por 15 a 9 votos. O projeto já havia passado pela Câmara em julho com uma votação de 294 a 134. Sua aprovação final como lei pode resolver anos de incerteza regulatória que mantiveram o capital institucional à margem do mercado.
Ben Lilly, analista sênior de cripto da Brownstone Research, traçou um paralelo direto com o mercado de baixa de 2022, quando a BlackRock lançou um trust privado de Bitcoin em agosto daquele ano, no fundo da desaceleração. Esse movimento precedeu o lançamento mais bem-sucedido de ETF da história, o ETF de Bitcoin à vista da BlackRock (IBIT), que atingiu US$ 80 bilhões em ativos sob gestão cinco vezes mais rápido que o detentor anterior do recorde, o ETF S&P 500 da Vanguard. Lilly argumenta que o mesmo roteiro está se repetindo: instituições estão acumulando enquanto o varejo se retira.
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