Grandes Instituições Compram Bitcoin em Baixa, Afirma Executivo da Coinbase
Instituições compram Bitcoin em queda, vendo oportunidade de acumulação.

O Bitcoin (BTC) despencou abaixo da marca de US$ 60.000 pela primeira vez desde outubro de 2024, atingindo o menor valor de US$ 59.099 na segunda-feira. Essa queda representa uma desvalorização superior a 50% em relação ao seu pico histórico de quase US$ 126.000. No entanto, segundo John D'Agostino, chefe de estratégia institucional da Coinbase, a retração está sendo vista como uma oportunidade, e não como um motivo de pânico, pelos investidores mais sofisticados do mercado.
Em participação no programa "Squawk Box" da CNBC na manhã de segunda-feira, D'Agostino afirmou que os investidores institucionais com os quais ele dialoga regularmente encaram a atual desvalorização como um momento propício para acumular Bitcoin com desconto. Ele destacou sua recente viagem ao Oriente Médio, onde pôde constatar que escritórios familiares e fundos soberanos dos Emirados Árabes Unidos, que estão dedicando esforços para investir nesta classe de ativos, não se mostram descontentes em adquirir Bitcoin a preços mais baixos.
As declarações de D'Agostino corroboram dados recentes que indicam uma compra institucional contínua mesmo durante o período de queda. A Mubadala Investment Company de Abu Dhabi, um fundo soberano avaliado em US$ 330 bilhões, reportou possuir 14,7 milhões de ações do iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock em 31 de março de 2026. Esse número representa um aumento trimestral de 16%, marcando o quarto trimestre consecutivo de acumulação, apesar de o Bitcoin ter sofrido uma queda de aproximadamente 40% em relação ao seu pico histórico.
"100 Bilhões de Dólares em Exposição a ETFs de Bitcoin" Apesar da acentuada correção do Bitcoin, D'Agostino apresentou uma estatística relevante como prova da resiliência do interesse de varejo: os ETFs de Bitcoin ainda detêm cerca de US$ 100 bilhões em exposição, mesmo após a queda de quase 50% no preço em relação ao seu ápice. Ele observou que, com uma queda de quase 50% no preço, houve uma retração de apenas cerca de 15% no interesse do varejo, o que sugere que tanto investidores de varejo quanto institucionais consideram o Bitcoin um ativo de longo prazo.
O iShares Bitcoin Trust da BlackRock, sozinho, administrava aproximadamente US$ 51,9 bilhões em ativos no início deste ano, representando cerca de 45% de todos os ativos dos ETFs de Bitcoin à vista. Essa concentração demonstra o impacto significativo do fundo da BlackRock no mercado de ETFs de Bitcoin.
Alguns dos motivos por trás da "inverno" do Bitcoin D'Agostino concordou em grande parte com os fatores apontados pelo apresentador do "Squawk Box" como impulsionadores da queda do Bitcoin. Entre eles, destacam-se o sentimento de aversão ao risco que leva investidores a buscar posições mais líquidas, as taxas de juros elevadas que enfraquecem a tese de "desvalorização da moeda", a falta de clareza regulatória que permanece em limbo legislativo e a decisão de Michael Saylor, da MicroStrategy, de quebrar seu compromisso histórico de "nunca vender" ao se desfazer de uma parte das participações em Bitcoin de sua empresa.
A MicroStrategy executou a venda de 32 Bitcoins entre 26 de maio e 31 de maio, por aproximadamente US$ 2,5 milhões. Embora essa transação representasse apenas 0,004% das mais de 843.000 BTC totais detidas pela empresa, ela abalou o sentimento do mercado, desencadeando uma reação negativa acentuada que levou o BTC a cair abaixo de US$ 72.000 antes que a queda geral continuasse.
D'Agostino também citou a guerra de 100 dias com o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz como fatores macroeconômicos que pressionaram os ativos de risco globalmente. Ele observou, contudo, que o preço do petróleo bruto permaneceu surpreendentemente contido abaixo de US$ 100 o barril, servindo como um lembrete de que a volatilidade em ambientes macroeconômicos complexos nem sempre segue a intuição. No âmbito legislativo, D'Agostino ressaltou projetos de lei em tramitação no Congresso que, segundo ele, fortalecem a infraestrutura institucional de suporte ao Bitcoin e aos ativos digitais de forma mais ampla, como o Digital Asset Market.
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