FMI elogia El Salvador, mas pede recuo no projeto Bitcoin
FMI aprova empréstimo de US$ 139 milhões para El Salvador.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou um desembolso de US$ 139 milhões para El Salvador, ao mesmo tempo em que expressou preocupação com o envolvimento do país no projeto Bitcoin. A declaração, emitida na sexta-feira, destacou o progresso econômico de El Salvador, mas também reiterou os apelos para que o estado reduza sua participação em atividades relacionadas à criptomoeda.
El Salvador, que adotou o Bitcoin como moeda legal em 2021, tem enfrentado críticas e escrutínio de instituições financeiras globais como o FMI. Na época da adoção, o país estava em negociações para um empréstimo de desenvolvimento com a agência, que via com ressalvas a iniciativa.
O FMI reconheceu que a economia salvadorenha tem apresentado um desempenho robusto, superando expectativas. Esse crescimento é atribuído a melhorias significativas na segurança pública e a um aumento na confiança dos investidores, além de um gerenciamento eficaz dos desequilíbrios macroeconômicos.
No entanto, o Fundo apontou que certos critérios de desempenho não foram cumpridos, especialmente no que diz respeito à acumulação de Bitcoin. Embora o FMI tenha concedido isenções para essas falhas, baseando-se em medidas corretivas e compromissos renovados, a agência insiste em uma redução da exposição estatal.
Especificamente, o FMI indicou que o envolvimento do estado salvadorenho em atividades ligadas ao Bitcoin está sendo desmantelado. A instituição sugere que não há previsão para novas aquisições de Bitcoin, além das doações já documentadas. Essa posição contrasta com declarações anteriores do presidente Nayib Bukele, que em 2022 anunciou a intenção de comprar um Bitcoin diariamente.
O FMI também mencionou, em setembro, que El Salvador não estaria utilizando fundos públicos para acumular a criptomoeda, recebendo-a através de doações privadas. Essa questão sobre a origem dos fundos para a compra de Bitcoin tem sido um ponto de discórdia e incerteza.
O acordo de empréstimo de US$ 1,4 bilhão entre El Salvador e o FMI, firmado no final de dezembro, inclui a exigência de que o país reavalie e reduza certos aspectos de sua estratégia com o Bitcoin. O governo salvadorenho já havia tentado incentivar o uso da criptomoeda em 2021, distribuindo Bitcoin e lançando uma carteira digital.
Embora o presidente Bukele tenha admitido em 2024 que o uso do Bitcoin para transações cotidianas não atingiu as expectativas iniciais, ele manteve uma postura de apoio à acumulação da criptomoeda pelo governo. A divergência entre a visão do FMI e a estratégia de El Salvador continua sendo um tema central nas discussões econômicas do país.
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