Coldcard Hack Revela Limites do Open Source no Bitcoin: O Que Aprender?
Coldcard hack resultou em perda de mais de US$ 100 milhões em bitcoin.

O recente ataque à Coldcard, uma carteira de hardware popular, resultou na perda de mais de US$ 100 milhões em bitcoin (mais de 1.500 BTC) para os usuários. O incidente levantou dúvidas sobre o que realmente significa "Open Source" no ecossistema Bitcoin. Muitos bitcoineiros, mesmo os mais entusiastas, podem não compreender totalmente a filosofia por trás do software de código aberto e suas falhas.
A distinção entre software de código aberto (Open Source) e software de código disponível (Source-Available) é fundamental. A Free Software Foundation (FSF) define software livre por meio de quatro liberdades essenciais, enfatizando que "livre" se refere à liberdade, não ao preço, como na frase "'livre' como em 'liberdade de expressão', não como em 'cerveja grátis'". Já a Open Source Initiative (OSI) estabelece dez critérios práticos, incluindo redistribuição gratuita, acesso ao código-fonte e permissão para obras derivadas.
A Coldcard, por exemplo, lança seu firmware sob licença MIT com a Cláusula Commons. Essa cláusula remove o direito de "Vender" o software, o que impede seu uso comercial. O FAQ da própria Cláusula Commons afirma explicitamente que isso não é "Open Source", pois atende a muitos elementos, mas não a todos. Essa restrição limita os incentivos para que empresas com fins lucrativos revisem o código.
Por que a falta de revisão do código é um problema tão grave?
A publicação do código-fonte apenas cria a possibilidade de inspeção, mas não garante que ela ocorra. No caso da Coldcard, um bug crítico na geração de entropia permaneceu no firmware por cerca de cinco anos antes de ser explorado. A biblioteca responsável, chamada libngu, teve pouquíssimo escrutínio externo, com apenas 7 estrelas e menos de 20 forks no GitHub, em comparação com outras bibliotecas mais populares. Isso demonstra que a disponibilidade do código não é suficiente para garantir segurança, pois a revisão depende de incentivos econômicos e atenção da comunidade.
O Bitcoin, por ser um sistema financeiro, enfrenta riscos maiores do que outros softwares. Um erro crítico pode ser convertido diretamente em fundos líquidos no mercado aberto. No caso da Coldcard, os invasores conseguiram roubar mais de 1.500 BTC, e alguns copiadores foram mais bem-sucedidos em lavar os fundos, segundo a Galaxy Research. Isso ressalta a necessidade de uma revisão constante e aprofundada do código.
Em contraste, projetos como o Bitcoin Core, a implementação de referência do Bitcoin, funcionam como exemplos de Open Source puro. O desenvolvimento é público, qualquer pessoa pode enviar um pull request, e a revisão é feita por meio de um vocabulário formal, como ACK e NACK. O financiamento vem de organizações sem fins lucrativos, como Brink e OpenSats, e as discussões ocorrem em listas de e-mail e canais IRC públicos. Esse processo colaborativo e transparente é otimizado para correção e auditabilidade.
Perguntas frequentes
O código da Coldcard era realmente Open Source?
Não. O firmware da Coldcard é distribuído sob licença MIT com a Cláusula Commons, o que impede seu uso comercial. A Cláusula Commons remove o direito de vender o software, o que significa que ele não atende a todos os critérios da Open Source Initiative. Portanto, é considerado "código disponível" (source-available), não Open Source.
O que os usuários de carteiras de hardware devem fazer para se proteger?
Os usuários devem verificar se o firmware de suas carteiras é verdadeiramente Open Source e se há um histórico de revisões ativas. Além disso, é importante acompanhar as atualizações e as discussões na comunidade. No caso da Coldcard, a falha passou despercebida por anos, então é essencial que os usuários exijam transparência e incentivem auditorias independentes.
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