Bitcoin e Ouro em Sincronia Máxima: Correlação de 6 Anos Cresce com Temores de Desvalorização
Correlação Bitcoin-Ouro em máxima de 6 anos.

A correlação entre o Bitcoin e o ouro atingiu o nível mais alto dos últimos seis anos, indicando que investidores buscam cada vez mais refúgio contra a desvalorização de moedas fiduciárias. Essa observação provém de um novo relatório da Bitwise, que destacou como o metal precioso e a principal criptomoeda estão operando em conjunto, impulsionados pela "intervenção macroeconômica significativa" do governo dos Estados Unidos.
O Bitcoin iniciou uma forte ascensão no mês passado, após o Departamento do Tesouro dos EUA anunciar a intenção de mais do que dobrar o volume de recompra de dívida governamental. Esse período marcou o melhor desempenho do Bitcoin em três anos e o terceiro melhor agosto de sua história, sinalizando uma mudança no comportamento do mercado.
A última vez que essa correlação Bitcoin-ouro se mostrou tão elevada foi em 2020, durante o período de estímulos fiscais e monetários massivos em resposta à crise da Covid-19. André Dragosch, Head Europeu de Pesquisa da Bitwise, ressaltou que, simultaneamente, a correlação do Bitcoin com o mercado de ações caiu para o menor patamar em um ano. Isso sugere uma desconexão crescente entre ativos tangíveis ("hard assets") e o mercado de ações.
Por anos, o Bitcoin foi promovido como o "ouro digital", mas frequentemente se comportou como um ativo de "risco" (risk-on), negociando em par com ações de tecnologia. Contudo, a estratégia de "hedge contra desvalorização de moeda" (debasement trade), onde investidores buscam ativos para proteger seu capital contra a perda de valor de moedas fiduciárias, parece estar ressurgindo com força.
Dragosch argumenta que essa tendência se deve à intervenção governamental nos mercados. Quando o Tesouro dos EUA sinalizou que tentaria controlar os custos de empréstimos de longo prazo, o valor do dólar sofreu uma desvalorização, levando investidores a buscarem refúgio tanto no ouro quanto no Bitcoin. Na mesma semana, a dívida pública dos EUA ultrapassou a marca histórica de US$ 40 trilhões, um fator que também mina a confiança na moeda americana.
O relatório da Bitwise conclui que os investidores não estão mais escolhendo entre ouro ou Bitcoin para se proteger contra a desvalorização cambial; eles estão utilizando ambos os ativos em suas estratégias de proteção. Essa mudança reflete uma percepção crescente do Bitcoin como um ativo de reserva de valor, em contraste com seu histórico como ativo de risco.
"O Bitcoin passou seus primeiros quinze anos sendo precificado como um ativo de risco. Se essa tendência de correlação com o ouro se mantiver, os próximos quinze anos podem ser muito diferentes", afirma o relatório. A criptomoeda líder demonstrou força novamente esta semana, sendo negociada perto de US$ 81.438, após um salto de quase 6% em um período de 24 horas, reforçando seu papel como um potencial hedge no cenário econômico atual.
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