Austrália processa Telegram por falha em remover conteúdo terrorista
Austrália processa Telegram por não remover conteúdo terrorista, com multa potencial de até US$ 35,8 milhões.

O Telegram, plataforma de mensagens com mais de 1 bilhão de usuários no mundo, enfrenta um grande desafio judicial na Austrália por supostamente não ter impedido a disseminação de material ligado ao terrorismo. A autoridade australiana de segurança online, a eSafety Commissioner, iniciou um processo de penalidades civis contra o Telegram no Tribunal Federal na quinta-feira, conforme comunicado oficial. O órgão regulador alega que o Telegram violou suas obrigações sob a Lei de Segurança Online do país ao não agir sobre múltiplas denúncias de usuários relacionadas a conteúdo pró-terror.
A eSafety afirmou que sua investigação de um ano constatou que o Telegram não removeu determinado material ilegal após tomar ciência dele, com alguns conteúdos denunciados permanecendo visíveis por até três semanas. O regulador também alegou que o Telegram não tomou medidas suficientes para evitar violações repetidas, como remover contas, canais e grupos usados para distribuir material pró-terror.
Por que o Telegram não removeu o conteúdo terrorista mais rapidamente? Segundo a eSafety, o Telegram falhou em detectar conteúdo extremista conhecido, incluindo imagens dos ataques à mesquita de Christchurch em 2019 e do tiroteio em massa de Buffalo em 2022, antes que o material fosse posteriormente removido. O regulador busca penalidades financeiras, com violações das regras australianas de segurança online podendo gerar multas de até 54,6 milhões de dólares australianos (US$ 35,8 milhões).
O Telegram não emitiu comunicado oficial sobre o processo australiano, mas sua conta oficial no X publicou um vídeo com a legenda "liberdade de expressão". A ação legal na Austrália ocorreu um dia depois de o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) acusar o CEO do Telegram, Pavel Durov, de facilitar atividade terrorista e iniciar procedimentos para colocá-lo na lista de procurados internacionais.
As autoridades russas alegaram que o Telegram não removeu canais, chats e bots que serviços de inteligência ucranianos, grupos terroristas e organizações extremistas usavam para coordenar ataques, recrutar operadores e realizar fraudes cibernéticas. Durov também permanece sob investigação na França desde sua prisão em agosto de 2024 no Aeroporto Le Bourget, onde promotores franceses o acusaram de cumplicidade na distribuição de conteúdo ilegal, incluindo material relacionado ao crime organizado, por meio do Telegram.
Durov criticou anteriormente o que descreveu como ameaças crescentes à privacidade online, alertando que governos estavam revertendo proteções para a internet livre. "O que antes era a promessa da livre troca de informações está sendo transformado na ferramenta definitiva de controle", escreveu em uma postagem de outubro de 2025 no X.
Perguntas frequentes
O Telegram pode ser multado em milhões de dólares? Sim, a eSafety Commissioner busca penalidades financeiras, e violações da Lei de Segurança Online australiana podem resultar em multas de até 54,6 milhões de dólares australianos (US$ 35,8 milhões), dependendo da decisão judicial.
O CEO Pavel Durov está sendo processado em outros países? Sim, além do processo na Austrália, Durov enfrenta acusações na Rússia por facilitar atividade terrorista e na França por cumplicidade na distribuição de conteúdo ilegal, após sua prisão em agosto de 2024.
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